Ibovespa após a eleição de 2026: o que se esperava para a abertura e o que aconteceu

O segundo turno da eleição presidencial, no domingo (25), terminou com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), com 99,99% das urnas apuradas. Foi uma virada: no primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio havia terminado à frente, com 47,03% contra 45,16%.
Para o mercado financeiro, o resultado foi uma surpresa. E a segunda-feira (26) começou com uma das reações mais fortes dos últimos anos na bolsa brasileira.
Os números deste post são da manhã de 26 de outubro, até cerca de 10h15, segundo a cobertura ao vivo do InfoMoney e do Money Times. O mercado se move rápido em dias assim: confira as cotações atualizadas antes de tomar qualquer decisão.
O que se esperava para a abertura
Na sexta-feira (23), último pregão antes do segundo turno, o Ibovespa fechou em alta de 0,47%, aos 205.082 pontos, e o dólar comercial caiu 0,90%, a R$ 4,993. Os preços refletiam, em boa parte, a expectativa de vitória da oposição: segundo Rohan Daswani, da Gavekal Research, o mercado estava posicionado para esse cenário, e desmontar essas posições tende a provocar um movimento intenso de venda no curto prazo.
Com o resultado confirmado, a expectativa dos analistas para a abertura era de queda forte da bolsa, alta do dólar e disparada dos juros futuros. Luis Felipe Vital, da Warren, previa que os juros poderiam bater no limite de oscilação logo nos primeiros minutos.
O que aconteceu nas primeiras horas
A expectativa se confirmou, e com intensidade maior do que muitos imaginavam:
- Ibovespa futuro: abriu às 9h04 em queda de 14,84%, aos 177.215 pontos. Depois de uma pausa, a B3 ampliou o limite de oscilação dos contratos, e às 9h40 a queda chegou a 19,70%, aos 167.095 pontos.
- Bolsa à vista: a abertura das 10h foi marcada pelo circuit breaker. Por volta das 10h05, a B3 suspendeu as negociações por 30 minutos.
- Dólar: o comercial abriu em alta de 8,65%, a R$ 5,425, e chegou a R$ 5,605 (+12,25%) ainda antes das 10h.
- Juros futuros: os contratos de DI atingiram o limite de alta e entraram em leilão. O DI para janeiro de 2033, por exemplo, subia cerca de 1,9 ponto percentual, para 14,58% ao ano.
- Tesouro Nacional: cancelou os leilões de títulos públicos previstos para 27 e 29 de outubro, algo comum em dias de forte volatilidade.
Como funciona o circuit breaker
O circuit breaker é um mecanismo da B3 que interrompe os negócios quando o Ibovespa cai muito em pouco tempo, para dar aos investidores um intervalo para avaliar as informações e evitar vendas em pânico. As regras são escalonadas:
- Queda de 10%: negociação suspensa por 30 minutos.
- Queda de 15% após a reabertura: suspensão de 1 hora.
- Queda de 20%: a suspensão é por prazo indeterminado, definido pela B3.
Por que o mercado reagiu assim
As análises publicadas ao longo da manhã apontam três motivos principais:
- Risco fiscal: para Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, o mercado está reprecificando o risco fiscal e institucional, e a questão central é a capacidade do governo de dar uma sinalização consistente sobre as contas públicas.
- Desmontagem de posições: como os preços embutiam outro resultado, parte da queda vem de investidores desfazendo apostas, o que amplifica o movimento no curto prazo.
- Revisão de bancos estrangeiros: o JP Morgan rebaixou a recomendação para o real e para os títulos públicos brasileiros, e espera queda maior das empresas ligadas ao mercado interno, com melhor desempenho relativo das exportadoras, que ganham com o dólar alto.
Há também quem veja oportunidade: Daswani, da Gavekal, avalia que a correção pode abrir pontos de compra, pela combinação de juros altos e exposição a commodities. Em dias de pânico, opiniões divergentes são normais, e nenhuma delas é garantia do que vai acontecer.
O que observar nos próximos dias
- Sinais sobre a política fiscal: declarações do presidente eleito e da equipe econômica sobre gastos, metas e arcabouço fiscal tendem a ser o principal fator de preço.
- Nomes do governo: quem vai comandar a Fazenda e outras áreas econômicas costuma pesar no humor do mercado.
- Dólar e juros futuros: a curva de juros mostra quanto o mercado está cobrando para financiar o governo e afeta diretamente a renda fixa.
- Boletim Focus e Banco Central: as projeções de inflação, câmbio e Selic indicam se a mudança de cenário vai durar.
- Volatilidade: movimentos de 2%, 3% ou mais em um único dia podem se repetir. Decisões tomadas no calor do momento costumam ser as mais caras.
Um momento para cuidar da sua carteira
Dias como este testam a disciplina de qualquer investidor. Vender tudo no pânico pode transformar uma queda temporária em prejuízo definitivo; comprar sem critério, apostando numa recuperação rápida, também é arriscado. O caminho mais seguro costuma ser voltar ao plano: rever seus objetivos, o prazo de cada investimento, o quanto você aguenta de oscilação e se a sua diversificação ainda faz sentido.
É um momento importante para gerenciar a sua carteira de ativos e ficar atento: saber exatamente quanto você tem em ações, renda fixa, fundos e dólar, qual a rentabilidade de cada parte e como a carteira está reagindo ajuda a tomar decisões com números, e não com medo.
Este conteúdo é informativo e não é recomendação de compra ou venda de ativos.
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