27 de março de 2017

Quitar empréstimo ou investir?

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Rafael pergunta:

Atualmente, possuo um empréstimo consignado que foi tomado com o objetivo de adquirir um automóvel à vista, já que as taxas estavam mais baixas se comparadas a um financiamento, além de poder usufruir do veículo sem o mesmo estar como garantia junto ao credor. As prestações deste empréstimo não oneram o meu orçamento doméstico familiar, e o seu saldo devedor, hoje, é de, aproximadamente, R$ 15.000,00.

Quitar empréstimo ou investir? – Imagem: freedigitalphotos.net

Eu e minha esposa conseguimos poupar com bastante facilidade, e já possuímos este montante em nossa caderneta de poupança.  A nossa dúvida é:

  • - quitar o empréstimo? ou;
  • - aplicar o montante?

Outro ponto: pretendemos adquirir um veículo mais novo no próximo ano. Já possuímos casa própria (quitada), e uma situação financeira equilibrada e estável, e apenas este empréstimo. Você acredita valer a pena desembolsar mais de R$ 40.000,00 em um automóvel?

Olá Rafael,

Bom dia!

Meu caro, sem sombra de dúvidas o melhor seria pagar as dívidas primeiro. Pois assim estaria eliminando todo e qualquer juro à ser pago. E, juros é dinheiro “extra” pago ao seu credor.

Agora explico. ok!?

Amigão, pense na seguinte situação: eu tenho uma pequena dívida com meu irmão (R$ 3.000,00), no qual ele me cobra 1% de juros ao mês, ou seja, um pouco mais dos juros que ele ganharia deixando esses mesmos 3 mil reais na poupança (0,6% ao mês). Meu irmão está ganhando 0,4% por mês encima desse dinheiro, em cima de mim. ok?

Por que ele prefere me emprestar o dinheiro? Porque ele sabe que é muito difícil conseguir de rentabilidade + de 1% ao mês. Em qualquer que seja o investimento, seguro ou de risco, é um tanto difícil receber mais de 1% de juros ao mês.

Então, nesse mesmo sentido, seria legal pensarmos que o mesmo é bom pra mim também. Pois, sei que se eu emprestar R$ 3.000,00 em uma instituição financeira (Bancos e xcreds. da vida), não vou pagar menos de 1% ao mês de juros. No mínimo pagarei uns 3% de juros ao mês. Consignado ou não, empréstimo pessoal ou não, cheque especial, cartão de crédito etc. Empréstimos e suas peculiaridades. Os juros ai fora são um absurdo.

Tá, está é uma história triste. Agora pense do seu lado. :-)

Se você paga juros de 5% ao mês (mais ou menos), que seja qualquer valor em porcentagem. Dificilmente você poderá obter uma rentabilidade superior à 1 ou 2% ao mês. Isso é provado. Há pesquisas e especialistas do mercado que comentam isso.

Gustavo Cerbasi [1] sempre escreve em seus livros o valor de 1% ao mês de juros, em rentabilidade, como sendo um valor excelente e possível.

Henrique Carvalho [2] mantém em suas planilhas uma média de 6 à 8% de rentabilidade + inflação do período como rentabilidade bruta anual. Ou seja, em seu excelente eBook, o Henrique fala sobre receber, na media, um pouquinho mais de 1% ao mês, considerando a rentabilidade líquida mais a inflação (conforme seus investimentos e dependendo de sua alocação de ativos). A inflação hoje está projetada na casa dos 4,5% ao ano!

Então, temos: 8% de rentabilidade líquida + 4,5% de inflação = 12,5% de rentabilidade bruta anual. Isso devido a diversificação dos investimentos. Não queira colocar todo seu dinheiro em um único investimento, que dificilmente obterá uma rentabilidade positiva.

Note como ambos especialistas coincidem em suas projeções. Mais ou menos 1% AO MÊS.

Carro novo? Vale a pena pagar R$ 40.000,00 em um automóvel?

Rafael, meu nobre, isso é muito pessoal. Não poderia eu dizer aqui se sim ou não. Desculpa-me, mas isso somente você e sua esposa poderão responder.

Digo isso, pois sei que brasileiro ama carro. :-)

Eu, particularmente, não compraria um veículo de R$ 40.000,00, pois compreendo que carro é um passivo enorme. Um objeto de luxo que tira dinheiro da gente!

Sou da seguinte opinião: todos meus carros que tive até hoje foram os mais simples e populares possíveis. Por duas razão bem obvias: (i) pela liquidez; (ii) e pelo preço.

Porque comprando um veículo popular, consigo vender mais rápido e perco menos dinheiro na hora da venda. Sem contar com seguros, manutenção (automóveis caros tem manutenção caras) e etc. Segundo, pago barato e tenho pouco dinheiro “parado” na garagem. Assim consigo girar e fazer fluxo de caixa com o restante do valor que supostamente estaria “investido” em um carro.

Espero ter ajudado. Caso alguém tenha dúvidas, não hesitem em me escrever. Estou no Twitter, Facebook, por e-mail ou através dos comentários.

Boa semana a todos!  Abração. :-)

Everton.

[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Gustavo_Cerbasi

[2] http://bit.ly/ebook_alocacao_de_ativos

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