20 de julho de 2017

Entrevista com Professor Elisson de Andrade

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Mais um entrevistado no blog Finanças Forever: conversei pela primeira vez com Professor Elisson de Andrade, e foi um enorme prazer. Foi bacana demais. 

Com o intuito de querer saber mais sobre as pessoas correlacionadas com educação financeira, surgiu então a seção blogueiros notáveis. Não tenho a menor dúvida da importância da Educação Financeira para a sociedade. De alguma maneira podemos aumentar o nível da educação financeira de nosso povo. Porém, sem querer ser politicamente correto, não vou ficar criticando os políticos nem tampouco aqueles que simplesmente não se importam com o tema. Vou fazer a minha parte, disseminar as boas atitudes financeiras para o mundo. Feliz aquele que acompanha o raciocínio.

Venho através dessas linhas lhes apresentar uma pessoa super bacana, inteligente, com um curriculum invejável. Professor SEJA BEM VINDO!

Meu amigo, professor Elisson de Andrade é o entrevistado de hoje aqui no blog Finanças Forever. Autor do blog do professor Elisson de Andrade. Mais um blogueiro notável que já é quase uma celebridade na blogosfera financeira brasileira. Como ele mesmo se denomina em seu blog: “Um eterno apaixonado por aprender e ensinar”.

Olá professor Elisson, seja bem vindo e, mais uma vez grato por aceitar o convite em bater esse papo comigo. É muito gratificante recebê-lo em meu blog. Espero que seja divertido e prazeroso.

Everton: De início de conversa, como já é de costume aqui no blog, peço a gentileza que o amigo conte um pouco mais de você. O que você faz da vida?

Prof. Elisson: Olá Everton, o prazer é todo meu em estar participando de seu blog.

Falar sobre mim é falar de uma vida acadêmica intensa e bem diversificada. Possuo graduação em Engenharia Agronômica e Direito, mestrado em economia aplicada e estou terminando meu doutorado, também na área econômica. Sou professor universitário em uma faculdade de administração, lecionando disciplinas ligadas a matemática, matemática financeira, mercado de capitais e, acredite, Finanças Pessoais. A instituição em que trabalho abriu as portas para uma disciplina focada em assuntos relacionados à educação financeira. Durante um semestre os alunos entram em contato com as etapas de um planejamento financeiro pessoal, desde seu próprio convencimento sobre a importância do tema até compreender como investir. Gosto de ressaltar esse fato, pois não é muito comum administradores se formarem possuindo uma disciplina com este conteúdo em seus currículos.

Com relação ao mundo virtual, minha inserção como blogueiro é bem recente. Iniciei em maio de 2011, mas as coisas estão acontecendo mais rápido do que eu imaginava. A repercussão do blog está muito positiva, sendo que meus cursos gratuitos on line estão sempre com novas inscrições e bem avaliados. Na verdade, creio que está dando tão certo que você acabou me convidando para sua seção de Blogueiros Notáveis, mesmo sendo eu um novato neste mundo virtual.

Everton: Que boa notícia, saber que a instituição onde você trabalha está vendo uma luz no fim do túnel. Valorizando aos interessados por Educação Financeira, que ainda são poucos. Pensando assim, podemos dizer que o Brasil ainda está engatinhando nesse processo de educar financeiramente seus cidadãos?

Prof. Elisson: Muitas vezes, nesse nosso meio, vejo pessoas dizendo que gostariam que educação financeira fosse ensinada nas escolas. Creio ser esse um sonho ainda bem distante, não só por falta de vontade política para tal, mas também por não existir no mercado, profissionais qualificados para ocupar o posto de educador financeiro, em número suficiente.

Então o que fazer?

Um dos grandes desafios para aqueles que, como eu, se dedicam ao ensino das finanças pessoais, tem sua origem na cultura financeira de grande parte da população brasileira. Os conceitos sobre o que é ser rico e como conquistar riqueza, enraizados na mente de grande parte da população, estão equivocados. O problema não é a falta da informação em si, mas as premissas utilizadas para administrar o próprio dinheiro é que estão erradas. Mudar esse cenário não é nada fácil. É preciso despertar uma intensa reflexão, motivando uma revisão de conceitos e, a partir desse convencimento pessoal, atingir uma mudança de padrão comportamental. Como costumo dizer, a pobreza está na cabeça e não no bolso.

Da parte dos educadores financeiros, estes precisam ter em mente que não basta ser tecnicamente bom, escrevendo artigos sobre os mais variados assuntos. É preciso ir além e assumir o papel de agente motivador. Isso significa extrapolar os limites de apenas gerar informação, encontrando maneiras de estimular mudanças de hábitos e cultura financeira. Para isso, pequenos detalhes e ações que os aproximem de seu público, são de importância fundamental. Sem essa relação de proximidade, acredito que não se consiga transformações relevantes na maneira como as pessoas lidam com dinheiro. Muito da função de um educador financeiro é ouvir, antes de falar. Funcionamos como uma espécie de analista. Um simples e-mail respondido, por exemplo, acredito que pode mudar definitivamente a vida financeira de uma pessoa.

Everton: Vejo muitos sites ensinando a investir e poucos informando os internautas sobre o básico das finanças. Creio que estão “pulando” uma parte do ensino. Isso estimula o leitor a crer que se pode ganhar dinheiro fácil e rapidamente, como por exemplo: na Bolsa de valores?

Prof. Elisson: Em minha opinião, a primeira etapa seria a pessoa se convencer que é PRECISO e POSSÍVEL mudar uma vida financeira baseada em dívidas. Todavia, apenas se convencer não basta. Percebo que nos primeiros contatos com novos conceitos financeiros, as pessoas ficam demasiadamente ansiosas. Isso porque querem colocar “a casa em ordem” de um dia para outro e saem em busca de entender onde podem ganhar dinheiro de maneira rápida.

Na verdade, apenas ter a consciência de que é preciso e possível mudar não significa que se está no caminho certo. Isso porque a preocupação com as finanças pessoais pode virar uma compulsão e isso acaba por diminuir a qualidade de vida que já era ruim.

A educação financeira é um processo lento e gradual, pois mudar uma concepção de vida moldada durante anos e anos não é tarefa trivial. Ingênuos os educadores financeiros que acreditam que seguindo seus conselhos, todos irão melhorar a qualidade de vida de imediato. Para muitos, esse processo é doloroso, repleto de conflitos e tensões psicológicas. Por isso, devemos ter cuidado no trato dessa transição, compartilhar experiências uns com os outros, abrir canais de comunicação com tais pessoas e assim por diante. Esse cuidado em não pular etapas é uma das nossas obrigações enquanto educadores financeiros.

Everton: Por que e como o professor se interessou por finanças?

Prof. Elisson: Meu caminho por finanças pessoais se deu pela curiosidade sobre investimentos. Na graduação me envolvi em um projeto de iniciação científica relacionado a derivativos. Depois veio o contato com mercado de ações. Esses estudos também se mostraram úteis à medida que me ajudavam na decisão de onde investir o meu próprio dinheiro. Passado um tempo, percebi a importância das etapas anteriores à escolha de um investimento, e tenho me dedicado muito a esses assuntos, desde então.

Everton: Nas entrevistas sempre peço dicas de leituras para nível iniciante. Poderia indicar leituras para o aprendizado inicial em finanças?

Prof. Elisson: Primeiramente farei um marketing pessoal, sobre meus cursos gratuitos online. O primeiro diz respeito às Etapas do Planejamento Financeiro, e o segundo ensina a construir sua planilha de fluxo de caixa para controle do orçamento doméstico. Clique aqui > Como organizar sua vida financeira. Tenho também um artigo que denominei Manual da Educação Financeira para Iniciantes, em que faço uma compilação de artigos de Gustavo Cerbasi, Conrado Navarro e André Massaro, que julgo ser um ótimo começo para os novatos em finanças pessoais. No mais, o livro Pai Rico, Pai Pobre, para aqueles que ainda não leram, ainda continua sendo minha primeira recomendação para um contato inicial com o mundo das finanças pessoais.

Everton: Atuando como professor, você vê o interesse dos alunos por finanças nas salas de aula? Surgem questões sobre o mercado financeiro?

Prof. Elisson: Como já disse, tenho uma disciplina voltada a esse assunto na faculdade em que leciono. Jovens, no geral, tem muita energia e pressa para que as coisas aconteçam. Querem sempre saber o que possibilita grandes ganhos em curto período de tempo. Querem arriscar a todo custo. Mas não é bem assim que as coisas funcionam. Colocar na cabeça de uma pessoa de 20 anos que é preciso ter paciência, não é nada fácil.

Everton: Através do método de ensino DSOP Educação Financeira, algumas escolas particulares no Estado de São Paulo já possuem aulas sobre essa disciplina. Como você vê o início da implementação da disciplina Educação Financeira nas salas de aulas?

Prof. Elisson: Essas ações possuem seu mérito, mas ainda são bem pontuais. Tal questão está longe de ter um alcance que realmente mude padrões de consumo de forma macro.

Um ponto interessante que tenho reparado é que a preocupação em educar financeiramente as crianças é mais acentuada entre aqueles com maior poder aquisitivo. Algo como: quem já possui certo patrimônio acaba por desejar ensinar aos filhos como conservar e multiplicar riqueza. Na outra ponta, os que vivem em dívidas não dão muito valor a esse tipo de educação financeira aos filhos. Talvez por falta de conhecimento ou simplesmente por não querer reconhecer os próprios erros.

Para o curto prazo, acredito muito em pais aprendendo sobre finanças pessoais e ensinando os filhos dentro de casa, dando exemplos. Talvez seja uma visão um pouco romântica, mas é o que acaba dando melhores resultados.

Everton: Você acha possível podermos ensinar finanças e, ajudarmos de alguma forma, à crescer o nível de Educação Financeira da população? Via online? Cursos online? Livros em PDF, como a exemplo do nosso amigo Rafael Seabra? – [Clique aqui para saber mais sobre o livro Como Investir Dinheiro]

Prof. Elisson: Realmente, o advento da internet possibilitou uma disseminação de informações muito simples, rápida e abrangente. Tanto acredito na importância da educação via web que estou dedicando boa parte do meu tempo a isso.

Livros impressos sempre foram, e espero que continuem sendo, uma forma eficiente de educar as pessoas. Porém, a internet permite uma interação diferente, e talvez com um efeito mais eficiente junto às novas gerações. Apresentações em formas de vídeo, por exemplo, nos dão a possibilidade de uma interação com o leitor de nossos blogs que possui um efeito muito bacana. As redes sociais, idem.

Dentro desse emaranhado de possibilidades, o problema para os iniciantes é saber por onde começar. E é exatamente isso que estamos fazendo agora, com esta entrevista: criando uma massa crítica sobre o estudo das finanças pessoais no Brasil de forma a poder distinguir quais são os conteúdos que valem a pena.

Everton: Professor, para finalizarmos com chave de ouro, peço a gentileza de deixar uma mensagem para os leitores do blog Finanças Forever.

Prof. Elisson: As finanças pessoais devem ser incorporadas pelas pessoas de maneira muito mais suave do que a visão nada estimulante de um conjunto de regras e premissas a serem seguidas. Saber como e quanto gastar do SEU dinheiro é uma ARTE. E como tal, deve ter a alma e características do próprio artista. Isso significa que só você saberá como maximizar seu bem estar, dado o orçamento disponível.

O que você encontrará em Blogs de qualidade como o Finanças Forever são INFORMAÇÕES e OPINIÕES que agucem sua mente para o despertar de uma nova concepção sobre finanças pessoais. A partir daí, cabe a cada um construir um futuro que você mesmo possa considerar como uma obra de arte.

Grato Everton e um forte abraço!

Obrigado pela participação. Admiro muito seu trabalho. Gostei bastante desse bate-papo. Espero que essa seja uma parceria de longa data. Que tenhamos outros encontros e bate-papos como esse em breve.

Abraços a todos!

@everton_ric

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