26 de março de 2017

Entrevista com Gustavo Cerbasi, consultor financeiro e escritor. Autor do best seller “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”

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Nova entrevista para a seção Blogueiros Notáveis.

Olá meus amigos, hoje tenho a honra em receber e entrevistar a pessoa que mais me influenciou no mundo das finanças: Gustavo Cerbasi.

É com muita satisfação e alegria que Gustavo “topou” conceder está entrevista por E-mail. Uma pessoa muito ocupada, com agenda lotada de palestras, mesmo assim aceitou meu pedido. Não conheço Cerbasi pessoalmente, mas um dia o farei.

Gustavo Cerbasi

Gustavo Cerbasi dispensa apresentação, mas para aqueles que estão no início de sua trajetória financeira, lhes apresento. Ele é autor de alguns livros, como: Os segredos dos Casais Inteligentes; Pais Inteligentes Enriquecem Seus Filhos; Investimentos Inteligentes; Como organizar sua vida financeira; Casais Inteligentes Enriquecem Juntos; Mais Tempo Mais Dinheiro em conjunto com Christian Barbosa, entre outros livros. Inclusive o seu livro mais famoso está sendo gravado e tornou-se um filme que em breve será apresentado em todos cinemas do Brasil.

Cerbasi, seja bem vindo! Grato em conceder essa entrevista e façamos dela um bate papo entre amigos.

Meu amigo conheço seu trabalho há tempos. Quando, em 2008, ganhei o livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, confesso que não dei muita atenção, ele ficou na estante até juntar poeira. Logo, consegui juntar dinheiro suficiente para me preocupar com minhas finanças mais seriamente. Só então fui me interessar pelo assunto e buscar ler bons livros. Ai, comentando com um amigo, ele me disse que já tinha lido seu livro e me recomendou fortemente. Fui até a minha estante de livros e li sua obra em 5 horas. Naquela noite fui dormir às 2:00 hr. da manhã e acordei a todo vapor. Disse a minha esposa no café da manhã: “descobri que estamos mais avançados que outros casais e podemos melhorar muito financeiramente”.

Everton: Você crê que a população ainda precisa ser lembrada de que a educação financeira é o melhor caminho? Pois só assim podemos conseguir nossa independência e consequentemente maior poder de escolha?

Gustavo Cerbasi: É curioso que tenhamos que insistir tanto, em nosso trabalho de educadores financeiros, que a oportunidade é evidente e está ao alcance de todos. Não considero exatamente que a educação financeira é o melhor caminho, pois melhor mesmo é o caminho da ética e da cidadania, que levam uma sociedade para frente mesmo sem educação financeira. Porém, se uma sociedade se educa financeiramente, dá maior produtividade aos recursos que ela gera. Famílias consomem mais, geram mais empregos, pagam mais impostos e melhoram a condição de sustentabilidade de todas as suas escolhas. Muito está se discutindo em termos de sustentabilidade na Rio+20, com foco em ecologia. Mas, se cada família fosse sustentável em termos econômicos, indiretamente lidaria melhor também com todos os seus recursos. A educação financeira tem um imenso poder multiplicador de bem estar, pois basta uma família consumir melhor seu dinheiro para levar mais bem estar também a toda a cadeia produtiva que termina no comerciante, mesmo que essa cadeia produtiva não tenha alto nível de educação financeira. Respondendo a sua pergunta, sim, a população precisa ser lembrada disso, pois os resultados da educação financeira surgem no médio prazo, enquanto que a maioria das decisões econômico-financeiras medem principalmente o benefício de curto prazo. É um erro grave.

Everton: Acredito que alguns possuem medo de falar sobre dinheiro. Ou ainda, têm pré-conceito de riqueza. Com toda sua experiência, o que você pensa sobre isso e qual a sua dica para as pessoas perderem esse temor? A uma solução? Alguma prática, algum treinamento pessoal?

Gustavo Cerbasi: Não acredito que ainda podemos considerar como medo a pouca conversa sobre dinheiro. Há uns dez anos atrás, falar sobre dinheiro ainda era tabu, mas essa explicação já não convence hoje, afinal o tema está presente em todas as formas de mídia. Diariamente, concedo entrevistas a revistas e sites para adolescentes, publicações sobre viagem, moda, automóveis, atividades recreativas, esotéricas e outras. Todos somos estimulados a iniciar essa conversa em casa. Se ela não acontece, é por dois motivos. Primeiro, porque a correria da vida moderna nos deixa pouco tempo para o relacionamento pessoal/familiar, e a maioria das pessoas não quer desperdiçar esse raro tempo com conversas sérias ou burocráticas. É preciso organizar a agenda e um pouco de boa vontade para isso acontecer. Em segundo lugar e também em razão desse pouco tempo para conversar sobre grana, é comum que os casais cometam pequenos atos de infidelidade financeira, como gastar mais do que o planejado no mercado, investir mal e não abrir o jogo, entrar no vermelho por alguns dias e emprestar dinheiro sem o consentimento do parceiro. Não são problemas graves, mas sim vistos como “mentirinhas brancas” que, por serem de pequeno impacto financeiro, não merecem ser discutidas para não estragar o bom momento do relacionamento. Porém, pequenos problemas tendem a se acumular, e quando viram um problemão realmente ficam difíceis de serem conversados, pois abrir o jogo de algo ruim que vem se acumulando há meses realmente soa como traição. A solução? Organizar-se para conversar mais sobre dinheiro. Ao menos uma vez por mês, o casal deve ter um tempo para se perguntarem mutuamente “você está feliz?”. Dessa pergunta, surgem planos para realizar sonhos, que naturalmente induzem à disciplina e motivação para poupar que, por sua vez, induzirá a uma maior racionalidade nas escolhas de curto prazo.

Everton: Quando entrevistei o Conrado Navarro, aqui neste mesmo espaço (http://financasforever.com.br/entrevista-com-conrado-navarro/). Ele me disse que possui basicamente três formas para estar sempre informado e em constante aprendizagem quando o tema é finanças, são elas: Formação de qualidade, ou seja, qualificação; leitura, ou seja, autodidata; e contatos. De qual maneira você utiliza para estar sempre estudando e trabalhando por um Brasil mais rico?

Gustavo Cerbasi: As três formas citadas pelo Conrado realmente são importantes para adquirir um conhecimento especializado na área em que atuamos. Participo de eventos no Brasil e no exterior, troco muitas experiências com profissionais com que me deparo na rotina de trabalho, e leio muito – muito mesmo, cerca de dois a três livros por semana. Porém, não me considero exatamente um profissional das Finanças, pois o tempo que dedico ao conhecimento financeiro é relativamente pequeno se comparado com os demais aprendizados. Leio muito sobre filosofia, psicologia, sociologia, antropologia, teologia, pedagocia e andragogia, áreas que predominam em meus textos. Alterno essas leituras com romances, novelas, piadas, curiosidades, guias de viagem e autoajuda barata, para dar um descanso aos neurônios. Também para cuidar de meu cérebro, procuro balancear minha agenda de uma maneira simples: um terço de meu tempo acordado é para o trabalho, um terço para minha família e um terço para mim. Uso muito bem meu tempo livre, meus três a quatro meses de férias por ano, para me equilibrar e também para aprender muito. Por exemplo, enquanto muitos veem uma viagem para a Disney com filhos como uma diversão banal e consumista, eu vejo uma oportunidade de treinarmos nosso inglês e aprendermos sobre cidadania, planejamento, marketing e sociologia. Sobre planejamento também, pois meus filhos esperam a próxima viagem para comprar roupas e brinquedos. Enquanto muita gente vai ao cinema apenas para se entreter, eu vou para aprender. Não raro, me pego me perguntando no meio de um filme: “como seria se essa família vivesse no Brasil?”. Enfim, acho que a maneira que encontrei de aprender foi desfrutando bem da vida, e isso me apaixona.

Everton: Meu pai e seus amigos sempre gostaram de investir em imóveis. Um deles dizia: “quem investe em terra nunca erra”. Meu pai foi quase um mentor pra mim. Então lhe pergunto: Quando e quem te ensinou os primeiros passos sobre finanças e/ou  investimentos?

Gustavo Cerbasi: Meu pai foi um grande poupador, ensinou e até hoje ensina sobre como se planejar e se precaver contra imprevistos. Também fez muitos investimentos em imóveis, e soube deixar claro que investir em terra também leva a erros. Desde cedo, sempre tive o hábito de conversar com amigos sobre escolhas que envolviam muito dinheiro, como investimentos, casamento, casa própria e filhos. Não raro, uma conversa regada a chope se transforma em um rabiscar de ideias e alternativas. Acho que aprendi muito mais com meus amigos do que ensinei a eles. Mas, o grande estalo, que me deixou maravilhado com as possibilidades que se abriram e indignado por não ver esse conteúdo acessível às pessoas, foi quando tive um curso de Engenharia Econômica (nome bonito para Matemática Financeira) com o professor Nivaldo Pilão, na Fundação Getúlio Vargas. Desse curso em diante, o efeito dos juros compostos passou a fazer parte de meus argumentos nas conversas com amigos, e pequenos sacrifícios em busca de grandes recompensas viraram regra em minha vida.

Everton: Neste momento há muitas dúvidas: Grécia, desindustrialização brasileira, o boom do mercado imobiliário etc. Qual a sua visão sobre o mercado financeiro atual?

Gustavo Cerbasi: O mercado financeiro está um lixo, com a maioria das pessoas desacreditando em tudo. Ou seja, ótimo momento para deixar de vez o perfil conservador e começar a montar posições de médio prazo incluindo investimentos em renda variável, como imóveis, ações e negócio próprio/franquia. Só que um detalhe é importante: o mercado está ruim, mas está mais inteligente. A educação financeira está presente até nas revistas de fofoca. Isso quer dizer que, se você quer começar a investir em algo mais complexo, vai ter que dedicar algumas dezenas de horas a um aprendizado qualificado sobre o mercado em que quer investir.

Everton: Você poderia indicar alguns livros para iniciantes? Tanto para investidores como também para os leitores que ainda estão começando neste maravilhoso mundo das finanças.

Gustavo Cerbasi: Comecei a escrever livros sobre educação financeira porque não via muito conteúdo ou prática na literatura que eu havia lido até então. Além dos clássicos “Quem pensa enriquece”, de Napoleon Hill, “Os Axiomas de Zurique”, de Max Gunther, “O Investidor Inteligente”, de Benjamin Graham, e “Pai Rico, Pai Pobre”, de Robert Kyosaki, recomendo meus dez livros, na ordem em quem foram escritos. Você encontra todos eles em http://www.maisdinheiro.com.br/livros.

Everton: Meu amigo, e para terminar nossa conversa com chave de ouro. Sempre peço aos meus entrevistados que deixem uma mensagem aos leitores do blog Finanças Forever. Fique à vontade!

Gustavo Cerbasi: É muito bom falar para um público que já se interessa por finanças. O que acho importante destacar é que vocês, que buscam lidar bem com o dinheiro e sonham com a independência financeira, correm o risco do arrependimento se tiverem muito sucesso. Esse arrependimento pode acontecer caso vocês sonhem com a aposentadoria de fato, que é a possibilidade de não fazer nada. Eu alcancei minha independência financeira em 2005, aos 31 anos. Naquele ano, virei para a Adriana e disse: “se quisermos, não precisamos mais trabalhar nessa vida”. Só que, naquele momento, eu percebi que todos os dias a vida nos convida a fazer coisas que queremos e coisas que não queremos fazer. Quanto mais financeiramente independente você for (não precisa ser 100%), maior será sua condição de dizer não para o que não quer fazer e sim para o que gosta de fazer. Quanto mais fizer do que gosta, mais desejará fazer. Por isso, pode ser que sua “aposentadoria” seja a fase em que você mais vai trabalhar na vida – e isso não é nem um pouco ruim. Talvez, até o leve a ganhar muito dinheiro sem necessidade, o que lhe dará um incrível leque de possibilidades. Portanto, olhe para o futuro com confiança, com curiosidade e com paixão. Pesquise no seu íntimo sobre sonhos não realizados, e comece a correr atrás deles. Você verá que o dinheiro é apenas um detalhe em todo esse processo, mas merecerá sua atenção para sempre (forever, certo?).

Obrigado novamente Gustavo. Bacana demais falar contigo! Parabéns por todos seus méritos. E peço que continue sempre ajudando as pessoas com conteúdos úteis e que realmente podem solucionar problemas reais. Adoro demais os exemplos práticos de seus livros, com nome aos casais e valores em moeda corrente. A sua expertise tem me ajudado muito em vários sentidos.

Um forte abraço!

Everton. 

Everton, eu é quem agradeço. Como expliquei acima, eu não precisaria dar entrevista ao Finanças Forever. Na verdade, se tivesse uma assessoria de imprensa, seria aconselhado a não fazê-lo, afinal você ainda tem muito a crescer. Mas, admiro seu foco, seu astral, sua ética e dedicação. Entenda essa entrevista como meu voto de confiança de que seu trabalho ainda vai alçar voos que você nem imaginou. Sucesso!

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