26 de março de 2017

Entrevista com Antonio De Julio, escritor, palestrante e coach

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Hoje na seção blogueiros notáveis é uma honra entrevistar meu amigo Antonio De Julio, co-autor do livro “Por dentro da bolsa de valores”. Criador do programa integrado de desenvolvimento financeiro MoneyFit®, atua na área de finanças desde 2003.

Segundo consta em sua página pessoal na web, desde cedo aprendeu que o dinheiro merece respeito e deve ser tratado com dedicação: “dinheiro não aceita desaforo” ele crê. Dê experiências adicionadas, as que aprendeu com anos de experiência no mercado financeiro, surgiu a MoneyFit®.

Estou escrevendo para agradecer por tudo que faz para ajudar as pessoas e quero pedir autorização para promover ainda mais sua mensagem como educador financeiro através dessa entrevista em meu blog.

Já sabemos que devemos nos organizar, poupar e investir. Abordar temas financeiros em casa é importante para não deixar a peteca cair. E para o importante entendimento de todos membros da família saber a real situação financeira familiar. Para quem quer aprender mais sobre finanças pessoais. Acompanhe nossa conversa.

Antonio De Julio, seja bem vindo!

Como sempre acompanho seu trabalho através de seus artigos e no Twitter. Gostaria de lhe conhecer melhor e a princípio pergunto: Como e com quem aprendeu sobre finanças? Quais suas maiores influências?

Antonio: Antes de mais nada, obrigado pela oportunidade de participar e contar um pouco da minha história. Eu não tenho formação em economia. Sou formado em Ciências da Computação com Pós em Marketing. Eu sempre digo que não sou um educador financeiro, mas sim uma pessoa “educada financeiramente”. Minhas maiores influências sobre dinheiro, sem dúvida alguma, foram meus pais. Eles tiveram uma origem muito simples. Vieram de Bauru no final da década de 60. Minha vó veio da roça mesmo e meu avô trabalhava na “FEPASA” (quero ver quem se lembra disso). Moraram de aluguel em uma casa de fundos do bairro de Pinheiros em São Paulo, e conseguiram se erguer e fizeram um excelente patrimônio. Eu, como sou o caçula da família de três filhos, peguei a fase “de ouro”, com uma situação financeira de meus pais mais estável. Já nasci em uma casa de quatro cômodos no excelente bairro do Butantã, aqui em São Paulo.

Eu nunca soube o que era “chuveiro elétrico” na minha infância. Na minha casa sempre teve aquecimento de água central, através de um “boiler”, que aquecia a água. Lembro de uma vez que cheguei até a acabar com a água do boiler (200 litros de capacidade) durante um banho e apanhei bastante da minha avó para aprender a não fazer mais isso, rs.

Mas, um belo dia acordei e não tinha mais água no boiler e nem na casa toda. O fornecimento de água foi cortado, e me vi tomando banho, sem exagero algum, em uma bacia grande, vermelha e minha avô esquentando a pouca água que tinha na caixa no fogão (lembro-me da cena como se fosse ontem). Eu devia ter uns oito anos, hoje estou beirando os trinta e nove. Nunca entendi direito o que aconteceu na época, ninguém da família (meus avós que moravam conosco já faleceram faz tempo e nunca tocaram no assunto). A “paulada” foi muito grande. Meus pais se divorciaram, houve muitas brigas e depois de um tempo, a situação voltou a melhorar e voltei a usufruir do aquecimento central, rs. Depois, tivemos mais um “deslize” financeiro que também foi bem pesado, envolveu uma cirurgia cardíaca que eu fiz no coração (comunicação interatrial, para os mais curiosos) que me tirou por um tempo do mercado de trabalho e comecei, naturalmente a gostar de dinheiro, a entender, na base da “porrada” que ele não merece desaforo. Fico muito triste por não ter, na época, alguém para compartilhar de minhas experiências. Meus pais sempre foram muito fechados, muito orgulhosos. Nunca me deixaram faltar nada, sempre tive acesso a estudos, cursos, mas acredito, até hoje, que muita dor (algumas cicatrizes ficam abertas para sempre) poderia ter sido evitada. Hoje estamos bem, obrigado, mas, nessa montanha russa que foram nossas finanças, poderíamos não estar.  Hoje aprendi duas coisas: a viver bem, dentro de minhas possibilidades financeiras, e tentar sempre, viver de bom humor (ajuda a economizar uma grana com cirurgias de rugas).

Everton: Que história em De Julio, surpreendente e vitoriosa.

Atualmente, há uma dúvida, que é consenso entre especialistas, no Brasil hoje o governo quer manter o crescimento econômico convidando a população a consumir. Mas, como fica o nível de endividamento familiar?

Antonio: O mundo já provou que esse método não funciona. Grécia, Espanha, a maioria dos países europeus, estão com o “chapéu na mão” pedindo ajuda a bancos. Os EUA, com o incentivo ao consumo com uma pitada de refinanciamento imobiliário, provocaram a segunda (dizem alguns que é a primeira) maior crise financeira da história da humanidade. Já tivemos um exemplo recente no Brasil em 2010, que para sair dos efeitos da crise econômica, o governo abriu as comportas do crédito e em 2011, com a inflação que veio pela demanda de pessoas enfurecidas (graças a Deus SEM a pitada do refinanciamento imobiliário) indo às compras, teve que construir barragens de emergência, elevando a Selic a mais de 12% ao ano. E estamos, nesse momento, experimentando do mesmo prato.

Everton: Aproveitar a queda do IPI para comprar um carro zero pode ser uma armadilha?

Antonio: Se a pessoa não sabe o que está fazendo, se ela tem um carro usado e não sabe se vai conseguir vende-lo, se ela não fez nenhuma conta de quanto vai custar as prestações e as despesas extras (seguro, combustível, manutenção, impostos e taxas, estacionamento, etc), sim, é uma armadilha. Agora, se ela fez a lição de casa e respondeu a tudo o que eu citei, pode comprar tranquilo.

Agora, antes de ir às lojas achando que o carro brasileiro está uma “pechincha”, aconselho a todos a visitar algum site de automóveis dos EUA (falo dos EUA, pois são os mais fáceis de se achar), por exemplo, o site da Ford ou da GM, e ver o quanto custa um carro no exterior. DICA: faça isso com uma caixa de lenços por perto, pois o choro é garantido.

Everton: Já sobre a economia mundial não há opiniões coerentes. Há dúvidas sobre a zona Euro e o crescimento desacelerado dos preços dos imóveis no Brasil. Qual sua visão sobre esse panorama?  Quais as oportunidades que temos perante essa crise europeia?

Antonio: Depende de que lado você está. Se você é empresário, há grandes oportunidades (das crises que surgem as novas riquezas) de investimentos em países em crise. Agora, se você é empregado, principalmente de indústrias ligadas à exportação, eu ficaria um pouco preocupado e faria uma reserva de emergência. Achar que o Brasil é a Ilha da Fantasia, que é impenetrável e está “blindado” das crises mundiais, diria até que é muita inocência.

Sobre o mercado imobiliário brasileiro, quando vejo um apartamento no interior de São Paulo custando R$ 2.000,00 (dois mil reais) o metro quadrado, me arrepia o último pelo do dedão mindinho do meu pé esquerdo. Vem-me a cena os meus dias de banhos de bacia, me perdoem a sinceridade. Os mais jovens são os mais endividados e os menos interessados em aprender sobre finanças. Pessoas imediatistas, vivendo mais para aparecer pros outros do que se importar com elas mesmas

Everton: Sendo especialista em finanças pessoais e investimentos. Por favor, poderia você nos indicar alguns livros para iniciantes em finanças? E algum para iniciantes em investimentos?

 

Antonio: Sobre finanças, tem o livro da MoneyFit (http://el2.me/niOs link afiliado), que na verdade é um método de desenvolvimento pessoal e financeiro. Sobre investimentos, tem o meu “Por dentro da Bolsa de Valores” (de minha autoria em conjunto com André Massaro), que também fala um pouco sobre outros tipos de investimentos, como a renda fixa.

 

 

De comportamento, posso citar “O milionário mora ao lado” (de Thomas J.Stanley e Wiliam D.Danko) e “Os segredos da mente milionária” (de T.Harkv Eker), dois fantásticos livros.

Everton: Antonio, meu amigo, peço a gentileza de deixar uma mensagem para os leitores do blog Finanças Forever!

Antonio: Minha mensagem é “devagar e sempre”. Vão com calma, façam planejamento (e tenham a certeza que ele PODE dar errado), conversem sobre dinheiro, conversem COM o seu dinheiro. Não deixem pra falar de dinheiro quando a bomba explode, introduzam o assunto dinheiro na família e o mais importante: sejam felizes, dentro de suas posses. Obrigado pela oportunidade, muita paz e fiquem com Deus!

Abração, Antonio De Julio.

Everton: Obrigado pela participação e parabéns pelo trabalho. É um enorme prazer compartilhar com meus leitores esse bate papo. Através das entrevistas aprendo e ensino. Bacana demais receber você em meu blog. Suas ideias são claras e fáceis de aplicar se tivermos controle financeiro inteligente. Considero seus exemplos práticos de muito valia e mais úteis ainda quando há temas que são de interesse da grande maioria, como a questão da compra de um veículo novo somente pelo impulso emocional que o IPI zero nos apresenta.

Grato mais uma vez e até a próxima!

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