24 de março de 2017

Como sair das dívidas (1ª parte)

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Continuando a série de guest posts (textos de convidados) do leitor Anderson Adami. Esse texto é parte integrante do curso sobre finanças pessoais e introdução aos investimentos. Na verdade, eu, por livre e espontânea vontade, denominei essa série de artigos do Anderson, como sendo um curso gratuito, que será publicado toda quarta-feira aqui no blog Finanças Forever.
Boa Leitura !!
 
Crédito da imagem: freedigitalphotos.net
 
Além do que já vimos (como pagar as dívidas, parte 1 e parte 2), esteja certo de que sair das dívidas implica, mais do que nunca, em algumas mudanças de atitude no que diz respeito ao modo com que lidamos com o cheque especial e o cartão de crédito. Qual a maneira ideal de lidar com eles? Simples: livrando-se deles. Tenhamos limite ou não, tenhamos pago ou não, não precisamos deles. Então, a dica é, simplesmente, fuja, eles envolvem as taxas de juros mais altas do mercado e, no total de devedores crônicos espalhados por aí, 70% estão em suas garras.
Assim, passe a pagar as contas com dinheiro, sempre à vista, o que facilitará o seu controle e lhe impedirá de gastar o que não tem. Ademais, note que ao se curvar ao apelo do crédito fácil, o teu rico dinheirinho está ajudando a entupir os bolsos de quem está praticando esse gênero de negócio no Brasil. Uma administradora de cartão de crédito, por exemplo, ganha de todos os lados: do comerciante, que precisa pagar por operação, assim como para ter a “maquininha” de cartão; do consumidor, que paga anuidade e, quando cai na besteira de atrasar a conta, passa a pagar juros exorbitantes, além de multas e outras taxas.
Para sair das dívidas do cartão de crédito e também do cheque especial, é fundamental que você busque o banco para negociar. Mas antes disso, avalie a alternativa de obter um empréstimo a juros menores em outra instituição, o suficiente para quitar essas pendências. Se você está empregado, a melhor saída é o empréstimo consignado – uma modalidade de empréstimo que toma como garantia a sua condição estável em relação ao trabalho e à renda. Os juros nessa modalidade chegam a representar ¼ dos juros cobrados no cheque e no cartão e isso é tudo do que você precisa para sair das dívidas.
No caso de dúvidas, recomendo a leitura de: Como sair do vermelho
Vamos agora à negociação. Se você já vive sob o estigma de devedor durante algum tempo, provavelmente já tenha, sem querer, iniciado o processo de negociação. Isso porque, no início, a negociação ocorre por iniciativa do credor, pela cobrança insistente do banco ou da administradora.
Em suma, eles comunicam que você está devendo e querem saber quando você vai pagar. Quando dão opções para facilitar o pagamento, tais opções não tem nada de facilidade, pois a taxa e o cálculo de juros – juros sobre juros – continuam os mesmos quando a dívida é parcelada. Se você procura o banco ou a administradora, buscando uma solução, isso poderá mudar desde que você utilize alguns argumentos certeiros: primeiro, deixe claro que você não pode pagar a dívida, muito menos nas condições colocadas pelo credor; segundo, comunique estar ciente de que o sistema de cálculo utilizado pelo credor é indevido, assim como você está avaliando a possibilidade de entrar com uma ação judicial para revisar esses cálculos, considerado todo o histórico de transações que teve com o credor (conforme os valores que um cliente tenha movimentado, já houve casos em que o credor teve de devolver dinheiro em lugar de receber). Para sair das dívidas, portanto, talvez baste você dizer apenas isso.
Porque os nossos credores vão flexibilizar ao máximo o pagamento diante de tal argumentação? Porque eles são PhD em esperteza. Eles reconhecem o prejuízo que terão ao longo do tempo em que você não pagar nada, além do risco de terem de negociar o seu título como “crédito podre” *(já vamos ver o que isso significa)*, que lhes isenta dos custos de cobrança e ajuda a manter a roda da riqueza em movimento.
Eles também estão cientes da cobrança abusiva e de teus direitos. E, enfim, para eles é horrível serem acionados judicialmente, pois além do prejuízo certo, isso contribui pelo enfraquecimento de sua imagem enquanto instituições de crédito. E, afinal, porque tanto stress se a única coisa que você está pedindo é que façam o que é justo para você poder sair das dívidas?
* Em tempo: “créditos podres” são os títulos em atraso considerados como de pagamento duvidoso, normalmente vendido para empresas especializadas em infernizar a vida dos devedores.
Anderson Adami é graduado em Gestão da Informação, especialista em Gestão Empresarial e mestrando em Engenharia de Produção. Atua como consultor em gestão empresarial e de informação, assim como, escreve e revisa textos nas horas vagas. No Twitter: @andersonadami

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