24 de março de 2017

A saga do cassino caribenho

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Hoje, quando eu estava pensando sobre o que escrever, me deparei com algumas antigas anotações de meu pai.

A história a seguir conta que João, nosso personagem, não é mais um rapaz, jovem, e também não pode ser considerado um idoso. Digamos que ele seja experiente, alguém que sabe o que esta fazendo.

João esta “comprado”, com uma grande quantidade de dinheiro investido em um certo ativo na bolsa de valores. No mercado de capitais quando você diz: “comprado”, significa que você possui ações de determinada empresa de capital aberto (empresas S/A).

O amigo de meu pai trabalhava com muito dinheiro no mercado, ele era gestor de um grande fundo de ações de investimento e também possui sua carteira individual e particular. Eu vou chamar esta companhia onde João tem mais de 20% de seus investimentos na bolsa de valores de: Cassino Resort.

O Cassino Resort na verdade é uma empresa do setor hoteleiro e não um cassino simplesmente, com vários hotéis espalhados pelas ilhas caribenhas, porém eles vem tendo uma margem de lucro negativa por 3 anos seguidos. Em 1980 um grupo do setor de construções civil de Miami comprou o controle do Cassino caribenho.

Em 1982 o mesmo grupo comprou uma pequena ilha no caribe, ao redor de Puerto Rico. Eles planejavam construir uma ponte para conectar as duas ilhas. E o projeto final incluía a construção de um super, hiper Hotel com cassino, SPA, etc.

Voltando um pouco na história e dando números aos ativos. O papel negociado na bolsa sob o código de RICH, no início dos anos 80 estava sendo negociado com valor oscilando entre $1,50 e $3,50. Veja bem, João possui mais de 20% de seu portfólio no setor de turismo.

No final do verão de 1985, após os novos proprietários terem completado a segunda etapa das construções e melhorias, com mais de $200 milhões em investimentos. A cotação de RICH girava em torno de $10,00.

Logo depois, com ajustes no fluxo de caixa, incluindo investimentos e as dívidas de curto prazo e longo prazo, a margem do lucro já era bem melhor, e os investidores os viam com bons olhos. De certo, grandes fundos de investimentos passaram a comprar ações de RICH.

Com um maior volume dos turistas indo para ilhas caribenhas todo verão a porcentagem nos lucros do grupo hoteleiro passou a subir e os fundamentos financeiros consequentemente começaram a melhorar. Igualmente a cotação do papel na bolsa passou a subir, subir e passou apresentar grandes rendimentos anuais.

Quando RICH era cotado a $20,00, em 1987, João, vendeu 30% de suas ações desta empresa que possuía em carteira. E no momento em que RICH alcançou a cota de $25,00, ou seja, 25% de crescimento do valor da cotação do papel em um prazo de um (1) ano, nosso investidor não se conteve e vendeu mais 25% de sua posição em dezembro de 1988.

Sempre imaginando que o valor já era alto o suficiente, passou a vender 25% de suas ações que possui do Cassino Resort quando o mesmo crescia também na proporção de 25% em sua cotação.

Embora ao decorrer da década de 90 a cotação do papel RICH oscilava entre $33,00 e $40,00. Nosso amigo já tinha vendido toda sua posição deste ativo antes disso acontecer, pois João estava realizando lucros com a venda e tentando adivinhar o topo histórico do valor do papel.

Infelizmente este conto não tem um final feliz. E quero apontar aqui alguns dos principais erros de João.

São eles: Primeiramente nunca invista mais de 20% em uma única companhia. A cotação desta empresa pode subir ou cair bruscamente. Rendimentos passados não são considerados como garantia de rendimentos futuros.
Em segundo lugar, não se deve investir uma grande quantidade de uma só vez. Invista regularmente, comprando papeis de empresas que estão caindo as cotações, porém com bons fundamentos.
E terceiro: não tente adivinha a tendência do mercado, ele pode te surpreender.

Neste momento, você esta se perguntando como deve agir neste caso. Sem dúvida eu posso te dizer que o correto seria investir um pouco todo mês. Não hesite em comprar ações mês a mês, isso faz com que você estude as companhias que esta comprando e seja um “sócio”.

Para estudar sobre o assunto, passe a visitar o site da empresa que esta pensando em investir, entenda como a mesma ganha dinheiro e em que mercado atua. Comece a ler as notícias do setor em que ela trabalha e também as que envolve a companhia.

Diversifique os setores das empresas que você possui investimentos. O ideal para um investidor particular que investe em papeis individuais é ter no máximo 20% de cada setor: Financeiro, consumo, construtoras, commodities, aviação, saúde, entre outros.

Seja um “passive investor”, invista passivamente, sem muitas negociações no mesmo mês, faça uma ou duas, no máximo três compras no período de 30 dias. Minimizando os custos de transferência, TED, DOC, e taxa de compra e venda de cada ativo, maximizando os rendimentos.

Talvez a sua área de atuação profissional não seja finanças tão pouco economia. Desse modo também estará diversificando seus conhecimentos, pois, passará a ler mais sobre economia e investimento.
Em suma, todos nós estamos aprendendo algo novo todos os dias.

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